Desenvolvimento histórico da Ioga
A origem da Ioga se perde no princípio dos tempos, há indícios que estabelecem que a maioria dos povos da antigüidade praticavam certas disciplinas e tinham conhecimentos relacionados com práticas semelhantes à Ioga, como podemos comprovar ao estudar a literatura e a arte das culturas da Mesopotâmia, Meio Oriente, Ásia, Europa e América, entretanto é na Índia onde aparece como um tudo homogêneo e sistemático com uma finalidade clara e precisa.
Segundo a tradição esotérica a Ioga se remonta às primeiras culturas que se desenvolveram em Continentes hoje desaparecidos, mencionados da antigüidade como a Atlântida e a Lemuria, neles os antigos rishis ou sábios ensinaram a seus discípulos escolhidos a sabedoria divina, quer dizer as grandes revelações que os inspirados recebiam em suas horas de meditação, que é de onde provém a Ioga: a união do terrestre e o celestial, do humano e o divino.
Quando aquelas civilizações foram desaparecendo por cataclismos, os ensinos secretos foram transladados a outras terras mais propícias, transmitindo-se de professor a discípulo; assim chegaram ao passo do tempo às terras da Índia grandes Iniciados que traziam com eles os tesouros da sabedoria milenar.
Existem evidências históricas da expressão da Ioga na civilização do Indo desde o ano 4,000 a.C., isto se pode constatar por meio dos descobrimentos arqueológicos das cidades do Mohenjo-Daro e Harappá, efetuadas em meados de 1920, onde descobriram selos, placas e distintas figuras que se relacionam com as posturas e símbolos tradicionais desta disciplina.
É um dos sistemas mais antigos e completos conservados até nossos dias, entretanto durante muitos séculos se ensinava em forma secreta a alguns escolhidos ou iniciados. Só com o decorrer do tempo se foram abrindo escolas onde se repartiam os conhecimentos do sistema Ioga.
Pouco a pouco se foi infiltrando na cultura hindu o pensamento yóguico a respeito da vida e o ser, passando gradualmente a outros países do oriente e oriente médio por meio dos ensinos de grandes professores que foram os encarregados de transmitir estes sublimes ensinos a grupos de discípulos preparados. Por exemplo, o Budismo em todos seus ramos conserva muitas práticas de tipo yóguico, e assim podemos comprovar como nas diferentes concepções filosóficas e religiosas do oriente e oriente médio existem muitas reminiscências desta disciplina integral.
A Ioga como a conhecemos se ensina fora da Índia do século XIX quando viajantes ocidentais chegam a beber da fonte da sabedoria hindu aos ashrams que são lugares onde vivem professores que aceitam discípulos, para depois retornar a seu lugar de origem levando consigo a missão de ensinar os princípios vitais da grande tradição da Ioga; simultaneamente se começam a traduzir os textos antigos a vários idiomas e alguns professores de diferentes escolas de Ioga começam a viajar a outros países levando com eles o ensino maravilhoso desta disciplina milenária.
Com respeito à literatura podemos encontrar referências sobre a Ioga nos livros antigos da Índia como os Veda, os quais são considerados como os livros sagrados do Hinduísmo e dos mais antigos da humanidade, neles se menciona a Ioga indiretamente, como uma prática especial de alguns personagens, ou como atitudes especiais para a busca de níveis superiores de consciência. Nos Upanishads que contêm a filosofia profunda e esotérica dos Veda, observamos uma íntima relação com os ensinos e práticas yóguicas, igual a no Bhagavad Guita considerado como um livro excelente de Ioga, o qual pertence à epopéia do Mahabharata.
Os aforismos da Ioga ou Ioga Sutras é reconhecido como o livro clássico dos ensinos yóguicas, seu autor Patanjali é considerado como o pai da Ioga, por ser o grande sistematizador destes conhecimentos. A Ioga do Patanjali é considerado como uma das seis escolas filosóficas da Índia. Tem uma íntima relação com a escola Samkhya e o Vedanta que junto com a Ioga formam os três sistemas filosóficos considerados maiores.
Outros livros do sistema Ioga são: a Ioga Vásishtha; a Hatha Ioga Pradipika; a Goraksha Samhita; a Siva Samhita; a Ioga Yájñavalkya. Também encontramos referências e ensinos yóguicas nos escritos Tântricos que têm uma grande relação com o Hatha Ioga, que estudaremos mais adiante.
A Ioga não é uma religião, nem pode pertencer a nenhuma denominação religiosa determinada, por sua mesma concepção. É um sistema de realização integral, com um transfundo filosófico e científico, totalmente livre, de tal maneira que pode ser estudado e praticado por qualquer tipo de pessoa já seja esta de tendência mística ou não. Segundo alguns investigadores se pode afirmar que a Ioga é mais antiga que as religiões conhecidas, visto que observamos relações com as práticas yóguicas em todas as formas religiosas do mundo, com outros nomes e enfoques, mas conduzindo ao mesmo: a união com o Absoluto.
Dentro da religião da Índia conhecida como Hinduísmo se aceitaram muitas das práticas e concepções do sistema Ioga, é por isso que algumas pessoas mal informadas acreditam que pertence de algum jeito à religião hindu, mas isto não é assim. O mesmo passou com outras religiões da Índia como o Jainismo que dirige um sistema de aperfeiçoamento muito similar ao processo yóguico de despertamento, e o Budismo que se estendeu por toda a Ásia, e cujos fundamentos filosóficos e práticos têm uma grande influência do milenar sistema de realização da Ioga.
A mesma atração que exerceu no passado nos povos do oriente, está agora exercendo no ocidente, é por isso que cada vez mais pessoas se tornam praticantes desta disciplina integral, inclusive sacerdotes e representantes de grupos cristãos o recomendam por que viram por eles mesmos os benefícios que se obtêm ao estudar esta ciência ancestral.
A Ioga resistiu ao passar dos séculos porque é um sistema perfeitamente estudado, cujos efeitos positivos podem ser comprovados em forma científica; a prática de seus exercícios e técnicas influi não só no físico, mas também no mental, repercutindo na vida interior do praticante de tal maneira que aqueles que começam a estudar esta disciplina sofrem uma transformação positiva em sua consciência e em sua vida de relação com seus semelhantes e com a natureza.
Todas as escolas de Ioga do mundo têm características similares, entretanto também têm algumas diferenças, o semelhante são os conhecimentos fundamentais e os exercícios básicos, por exemplo, as posturas ou asanas yóguicas. O que muda é a maneira de transmitir os ensinos e a ordem dos exercícios.
“Atua, OH discípulo, sem apego, firme na Ioga, com a mente igual no sucesso ou no fracasso. A equanimidade da mente é a Ioga.
Porque a ação, OH discípulo, é muito inferior à ação desinteressada; procura refúgio na atitude de desapego. Desgraçados são os que procuram o fruto em suas ações.
Neste mundo, um homem dotado dessa atitude de desapego escapa ao fruto das ações, sejam boas ou más. Portanto procura te aproximar da Ioga. A Ioga é a habilidade na ação”.
(A Bhagavad Guita: II.48-50).
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